ARKIVÃO

ARKIVÃO - espaço para reunir o que vou escrevendo ao longo do tempo, e que se encontra espalhado por aí; arkitectura, referências a terra de origem, divagações disléxicas; tentativa de organização, mas sem critério e por vezes sem cronologia; organização anárKica, incompleta, de conversa da treta, assinada através de diversos pseudónimos.... mas nem tudo estará aqui. Anabela Quelhas

Friday, November 17, 2006

INFERNO COLONIAL

Apresento-vos uma das minhas intervenções no site sanzalangola, a que denominei por INFERNO COLONIAL talvez a mais polémica de todas, que pôs muita gente a pensar, e contribuiu para levar à ebulição, alguns ódiozinhos que habitam nas mentes e nos corações de muitos, e que teimam em permanecer.

Anabela Quelhas


Este é o 3º fio que abro nesta sanzala, e provavelmente o último.
Desde há 3 anos a esta parte, que navego por esta sanzala, espreitando aqui e ali, assistindo a conflitos, a guerrinhas virtuais, makas, bate-bocas, detectando por vezes vestígios de um certo espírito neocolonialista que teima em permanecer no mais íntimo de muitos.
Por diversas vezes senti vontade de abrir este fio, mas contive-me. Agora, chegou a hora!
Somos brancos de 1ª, brancos de 2ª ou mestiços?
Todos nós somos na verdade uma misturada de raças, mestiços do século XXI, descendentes de europeus que partiram à descoberta do mundo, há alguns séculos atrás.
Saberemos bem quem foram os nossos antepassados?
Seremos capazes de assumir sem complexos e de forma inteira esta herança maldita?
O objectivo deste fio não será gerar discussão, diálogos, mas sim de registo, de constatação e reflexão, pois o processo histórico, dizem, que é inquestionável.
Não temos que nos penitenciar, reduzir a auto-estima, temos que saber quem somos e reconhecer o lado maldito deste passado.
Prometo não responder a ninguém, nem ceder, como é meu hábito, a provocações dentro ou fora desta sanzala, caso contrário, este fio seria rapidamente encerrado.
Limitar-me-ei a ir passando por aqui e silenciosamente deixar como registo a transcrição de excertos de documentos. Irei apoiar-me, logicamente em trabalho seriamente investigado, mas pudicamente divulgado.
A ordem cronológica pouco importa, assim como não interessa se o que transcrevo se refere a Angola, Brasil, Índia, Guiné, Moçambique, Cabo Verde ou Timor, até porque
"...o fedor dos mortos na cidade de Mombaça saqueada por D. Francisco de Almeida em 1505 é o mesmo fedor dos cadáveres dos camponeses massacrados a napalm na Baixa de Cassange em 1962 - é um fedor que ainda hoje nos agonia, nos dificulta a respiração como povo"... e nos turva a alma, mas que será capaz de evitar a proliferação de pretensos neocolonialismos e o branqueamento de diversas páginas da história.
Será que esta sanzala estará preparada para simplesmente ler?
(continua)

1 Comments:

Blogger Isabel loves design said...

Só Hoje li, estes posts, não tenho conhecimento dos debates, mas não e necessário, posso bem imaginar. Apesar de não ter nascido em Angola nem uma ligação directa, esse assunto também me diz respeito já que também sou uma herdeira da história Portuguesa estando de acordo com a exposição da verdade da qual não tenho orgulho.
O meu ex companheiro e pai dos meus filhos, foi filho de um colono em Angola, nasceu em Uíje e teve exposto as guerra de independência em 1962, sendo criança foi exposto pela primeira vez a violência, na sua adolescência revoltou-se contra a prepotência do sistema e acabou se envolvendo na guerra civil de 75/76. A minha filha escreveu uma peça de teatro baseada na experiência do pai, apesar de viver em Austrália essa história afecta quem ela e.

SBS Portuguese program
"The Rose of Angola"

Pela primeira vez na Austrália podemos assistir a uma peça de teatro sobre a guerra colonial em Angola. A peça foi escrita e é dirigida por Joana Pires, filha de pai angolano e mãe portuguesa, e conta as histórias relatadas pelo seu pai, Beto."

http://ninica62.blogspot.com/search/label/Joana%20Pires

11:53 PM  

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